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Exclusivo! Mesmo com melhor resultado fiscal dos últimos 4 governos, investimentos sociais crescem 74% em 3 anos

O governo Lula tem muitos problemas, sendo o principal deles, do meu ponto-de-vista, a sua incapacidade de oferecer um planejamento estratégico para segurança pública e mobilidade urbana. Mas algumas críticas que tenho visto por aí, de que a política econômica do governo seria “neoliberal, austericida, ortodoxa”, não batem com os números divulgados pelo próprio Ministério […]

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Fernando Haddad. / Lula Marques/ Agência Brasil

O governo Lula tem muitos problemas, sendo o principal deles, do meu ponto-de-vista, a sua incapacidade de oferecer um planejamento estratégico para segurança pública e mobilidade urbana. Mas algumas críticas que tenho visto por aí, de que a política econômica do governo seria “neoliberal, austericida, ortodoxa”, não batem com os números divulgados pelo próprio Ministério da Fazenda. 

De fato, o governo está conseguindo recuperar as contas públicas. Isso é um mérito, ainda mais diante do cerco violentíssimo que o sistema financeiro mundial exerce contra o país. 

Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, o resultado primário do governo federal em janeiro de 2025 ficou positivo em R$ 85 bilhões, o melhor resultado em 24 meses. Ou seja, houve um superávit primário robusto em janeiro, exatamente daqueles que o governo Milei gosta de se gabar.

Mas com uma diferença brutal: enquanto Milei, o queridinho da Folha de São Paulo e da Faria Lima, faz cortes drásticos nas despesas sociais do governo argentino, Lula tem obtido superávits sem cortar nenhum programa importante.

Ao contrário, as despesas sociais do governo Lula III cresceram incríveis 74% em três anos, já descontando a inflação. 

Voltemos à questão fiscal. 

No acumulado de 12 meses, até janeiro de 2025, o déficit primário do governo federal ficou em R$ 42,17 bilhões, o que significou uma forte queda sobre o déficit de R$ 243,5 bilhões nos 12 meses até janeiro de 2024.

Lembrando: o déficit primário do Brasil havia chegado a quase R$ 1 trilhão em janeiro de 2021, neste caso agravado pela pandemia. Mas nos meses de janeiro de 2019 e 2020, o governo federal também havia registrado déficits muito elevados, de R$ 171 bilhões e R$ 112 bilhões, respectivamente. 

De maneira geral, o resultado fiscal de Lula III, até o momento, é o melhor dos últimos 4 governos (incluindo o próprio Lula III na contagem).

Desde o primeiro mês de 2023 até janeiro de 2025, o resultado primário acumulado do governo federal (ou governo central, como preferem os técnicos) foi de -0,79% do PIB, contra um resultado primário de -1,94% em Dilma II, -2,09% em Temer, e -2,43% em Bolsonaro.

Segundo dados do Tesouro Nacional, os principais investimentos sociais do governo totalizaram R$ 377 bilhões, o que representou um crescimento de quase 7% em 1 ano,  37% em 2 anos e 74% em 3 anos. Os valores, naturalmente, já foram deflacionados pelo IPCA de janeiro de 2025.

Observação: preferi usar o termo “investimento”, por razões semânticas que explico em outra oportunidade, mas é a mesma coisa que “despesa” ou “gasto”. 

Não são números de um governo “austericida”, além de mostrarem que o novo arcabouço fiscal é infinitamente mais flexível do que o antigo teto de gastos. 

O governo ainda precisa encontrar recursos para ampliar os investimentos em infra-estrutura e logística, mas as despesas sociais do governo não apenas foram preservadas como registraram um aumento vigoroso nestes 25 primeiros meses de governo Lula III.

Preparei 5 gráficos sobre os investimentos sociais do governo. O primeiro deles, com título “principais investimentos sociais do governo federal”, soma os gastos de educação, saúde e programas sociais. 

O que chamo de programas sociais, por sua vez, é uma soma de Bolsa Família, BPC, abono, seguro desemprego, além da rubrica Assistência Social. Estas despesas foram reuunidos no gráfico 2.

Os investimentos em educação (gráfico 3) e saúde (gráfico 4) somam as rubricas de despesas obrigatórias e discricionárias. No gráfico 5, compilei as despesas com BPC nos últimos anos. 

Os cinco gráficos são muito intuitivos. A primeira coisa que você irá notar é o aumento impressionante dos investimentos sociais em todos os campos. Os números contradizem, portanto, as acusações injustas vindas de setores da ultra esquerda, de que a política econômica de Lula seria “neoliberal”. 

Fiz ainda um gráfico apenas com Benefício de Prestação Continuada (BPC), alvo de questionamentos duros por parte de alguns setores da esquerda, que acusaram o governo de pretender “acabar com o BPC”.

Não apenas isso não ocorreu, como se deu exatamente o contrário: Lula III vem aumentando – e muito – as despesas com BPC e Bolsa Família. 

Apenas com BPC, por exemplo, os gastos federais nos últimos 12 meses, até janeiro de 2025, foram de R$ 115 bilhões, um aumento de 15% sobre o ano anterior; em dois anos, o crescimento do BPC foi de 30% e, em três anos, de quase 40%.

No entanto, entendo que há influência neoliberal na administração, embora não nos gastos sociais, e sim no que já critiquei acima como falta de planejamento estratégico em algumas áreas centrais, como segurança pública, mobilidade urbana e oferta de energia solar nas cidades. 

  

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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