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“A partir de hoje Sissoco é ex-Presidente da Guiné-Bissau”

Antigo braço-direito do Presidente guineense diz que a partir de hoje Umaro Sissoco Embaló deixou de ser chefe de Estado. Nuno Nabiam alerta que se Umaro Sissoco Embaló continuar na Presidência será um golpe de Estado. Bissau acordou esta quinta-feira (27.02) com veículos da polícia e elementos das forças da ordem a patrulhar as ruas […]

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Ludovic Marin/AFP/ Braima Darame/DW

Antigo braço-direito do Presidente guineense diz que a partir de hoje Umaro Sissoco Embaló deixou de ser chefe de Estado. Nuno Nabiam alerta que se Umaro Sissoco Embaló continuar na Presidência será um golpe de Estado.

Bissau acordou esta quinta-feira (27.02) com veículos da polícia e elementos das forças da ordem a patrulhar as ruas da cidade num dia marcado por muita apreensão por parte da população. Algumas escolas foram mesmo obrigadas a dispensar os alunos.

As atenções viraram-se no início da tarde para o polêmico fim do mandato de Umaro Sissoco Embaló. Às 14h50 minutos de Bissau, as coligações Plataforma da Aliança Inclusiva (PAI-Terra Ranka) e Aliança Patriótica Inclusiva (API – Cabas Garandi) assinalaram o fim do mandato de Embaló numa conferência de imprensa, na qual reafirmaram que não resta mais nada ao Chefe de Estado.

“A partir deste momento em que falamos, [Umaro] Sissoco Embaló é ex-Presidente da República. Continuar no Palácio significaria um golpe de Estado. Mas nós não queremos problema neste país, queremos viver na paz e tranquilidade”, disse Nuno Nabiam, que conferiu posse presidencial a Umaro Sissoco Embaló, em 2020, à revelia da Constituição guineense.

Nabiam, o então vice-presidente do Parlamento, liderado na altura por Cipriano Cassamá, decidiu, em pleno contencioso eleitoral, conferir posse simbólico a Umaro Sissoco Embaló, há cinco anos. O ato decorreu num dos hotéis da capital.

Hoje de costas voltadas, Nuno Nabiam, que foi nomeado primeiro-ministro guineense logo a seguir à tomada de posse de Embaló, diz que a luta dos opositores do chefe de Estado é a favor da democracia.

“Paralisação total do país”

Como medidas de protesto contra eventual continuidade de Sissoco Embaló no Palácio Presidencial, Nabiam apelou à participação da população na “paralisação total do país, a começar com o setor dos transportes e com a administração pública, convidando os funcionários a não irem trabalhar na sexta-feira.”

Quem está disponível a abraçar a causa é o Movimento Revolucionário “Pó de Terra”, uma organização da sociedade civil guineense. O seu secretário-geral, Vigário Luís Balanta, não acredita numa solução externa para os problemas do país.

“Não podemos observar a CEDEAO, as Nações Unidas e a comunidade internacional, temos que lutar enquanto guineenses para defender o que é nosso. Por isso, convidamos amanhã [sexta-feira] todo o povo da Guiné-Bissau para, a partir da meia-noite, parar o país inteiro”.

Umaro Sissoco Embaló encontra-se no estrangeiro e ainda não reagiu quanto às movimentações políticas desta quinta-feira e à “celebração” do fim do seu mandato presidencial.

A capital guineense está sob forte presença das forças de defesa e segurança | Iancuba Dansó/ DW

Guiné-Bissau sem nenhum órgão legítimo?

Enquanto isso, a missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) desdobra-se em contactos com os atores políticos guineenses na busca de saída para a crise política no país e de uma data para as eleições legislativas e presidenciais.

Os emissários da organização sub-regional mantiveram encontros na quarta-feira com a PAI Terra Ranka e esta quinta-feira com a “API Cabas Garandi” e com a Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP).

Após a reunião, o primeiro vice-presidente do Parlamento guineense, Fernando Dias, diz que é preciso que a Comissão Permanente do Parlamento funcione, para acabar com a crise.

“A única entidade legítima neste momento para resolver a crise existente é a Comissão Permanente da ANP, porque ela é que se pode incumbir de resolver o problema na Comissão Nacional de Eleições (CNE) e no Supremo Tribunal de Justiça (STJ).”

Publicado originalmente pelo DW em 27/02/2025

Por Iancuba Dansó – Bissau

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