A taxa de inflação anual na zona do euro caiu para 2,2% em março, ante 2,3% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 2, pelo Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia.
O resultado, alinhado às expectativas de mercado, fortalece a projeção de que o Banco Central Europeu (BCE) poderá realizar um novo corte nas taxas de juros em sua reunião prevista para 17 de abril.
A queda foi impulsionada principalmente pela redução nos preços da energia e pela desaceleração da inflação de serviços. Os números indicam uma desaceleração contínua das pressões inflacionárias, o que deve influenciar as decisões da autoridade monetária.
A medida de núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentos e combustíveis, também apresentou desaceleração, passando de 2,6% em fevereiro para 2,4% em março. O índice ficou abaixo das projeções do mercado, que apontavam para 2,5%.
O resultado é interpretado como sinal positivo por dirigentes do BCE, que monitoram de perto os componentes mais persistentes da inflação.
Desde junho do ano passado, o BCE reduziu suas taxas de juros em seis ocasiões. Com a economia do bloco estagnada, a valorização do euro e a continuidade da queda nos preços da energia, investidores passaram a apostar majoritariamente em uma nova redução da taxa de depósito, atualmente fixada em 2,5%.
Segundo estimativas de mercado, há entre 70% e 75% de probabilidade de que esse corte ocorra já em abril, com expectativa de novas reduções ao longo de 2025, podendo levar a taxa para 2,00% ou até 1,75% até o fim do ano.
A inflação nos serviços, que tem sido um dos principais focos de atenção do BCE, também apresentou recuo. A alta de preços nesse setor foi de 3,4% em março, contra 3,7% em fevereiro. Apesar da desaceleração, os serviços seguem como um dos componentes mais resistentes da inflação.
Ao longo de 2024, o índice permaneceu próximo de 4%, desafiando a tese de que o enfraquecimento do crescimento salarial seria suficiente para reduzir a pressão inflacionária.
Por outro lado, a inflação dos alimentos voltou a acelerar. Os preços dos alimentos não processados subiram 4,1% no mês, influenciando o resultado geral. O avanço neste segmento indica que parte da cesta de consumo ainda enfrenta impactos de choques anteriores e de fatores climáticos e logísticos.
A perspectiva de cortes nos juros ocorre em meio a um cenário de incerteza geopolítica e comercial. A possibilidade de uma nova guerra comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos é considerada uma ameaça relevante à economia do bloco.
A adoção de tarifas e as prováveis medidas retaliatórias podem reduzir o crescimento e elevar os preços, configurando um cenário de estagflação.
Apesar do risco, dirigentes do BCE minimizaram o impacto inflacionário de uma possível escalada nas tensões comerciais. O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, afirmou na semana passada que o efeito sobre os preços seria temporário.
Segundo ele, o impacto negativo sobre o crescimento econômico tenderia a neutralizar eventuais pressões inflacionárias adicionais.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, também comentou os efeitos de uma guerra comercial. De acordo com suas estimativas, esse tipo de conflito poderia retirar até meio ponto percentual do crescimento econômico da zona do euro.
Considerando que a expansão do Produto Interno Bruto do bloco em 2023 foi de apenas 0,9%, o impacto seria significativo.
Internamente, o BCE monitora os efeitos de recentes elevações nos rendimentos de títulos de longo prazo, que vêm dificultando os esforços para baratear o crédito e estimular a economia. A combinação entre juros altos, crescimento lento e baixa inflação aumenta a pressão para uma resposta da política monetária.
Com base nos dados atuais e na comunicação recente das autoridades do BCE, os mercados financeiros passaram a antecipar não apenas um corte em abril, mas também uma trajetória de redução gradual dos juros ao longo dos próximos trimestres.
A expectativa é de que a taxa de depósito atinja níveis entre 1,75% e 2,00% no fim de 2025, refletindo a perspectiva de um ambiente inflacionário mais contido e de recuperação econômica moderada.
Com informações da Reuters
Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!