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Petrobras foi a empresa que mais pagou dividendos em 2024

As companhias brasileiras listadas na bolsa de valores distribuíram US$ 22,4 bilhões (equivalente a R$ 129 bilhões) em dividendos ao longo de 2024, segundo dados divulgados pela gestora britânica Janus Henderson no relatório “Índice Global de Dividendos”. O valor representa um aumento de 3,7% em relação ao montante registrado em 2023, quando foram pagos US$ […]

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Felipe Dana/AP Photo/Imageplus

As companhias brasileiras listadas na bolsa de valores distribuíram US$ 22,4 bilhões (equivalente a R$ 129 bilhões) em dividendos ao longo de 2024, segundo dados divulgados pela gestora britânica Janus Henderson no relatório “Índice Global de Dividendos”.

O valor representa um aumento de 3,7% em relação ao montante registrado em 2023, quando foram pagos US$ 21,6 bilhões (R$ 124 bilhões). Apesar da elevação, o crescimento ficou abaixo da média registrada nos mercados emergentes, que foi de 7,9%, e da média global, de 5,2%.

O desempenho brasileiro em 2024 manteve-se inferior ao observado em 2022, quando o país atingiu um recorde de distribuição, com US$ 34,8 bilhões (R$ 200 bilhões) em dividendos pagos. Naquele ano, os repasses foram impulsionados por um cenário de aumento de gastos públicos durante o ciclo eleitoral.

Entre as empresas nacionais, a Petrobras foi responsável por quase metade dos dividendos distribuídos em 2024. A estatal destinou US$ 10,83 bilhões (R$ 62,4 bilhões) aos seus acionistas, ocupando a 14ª posição entre as maiores distribuidoras de lucros do mundo.

A mineradora Vale aparece em segundo lugar no ranking brasileiro, com repasses de US$ 4,16 bilhões (R$ 24 bilhões). Os valores pagos pela empresa foram impactados pela retração nos preços internacionais do minério de ferro, que afetou os resultados do setor de mineração de forma mais ampla ao longo do ano.

Distribuição global alcança US$ 1,75 trilhão, com destaque para tecnologia e setor financeiro

O levantamento da Janus Henderson mostra que, em escala global, o total de dividendos distribuídos atingiu US$ 1,75 trilhão em 2024. A Microsoft liderou o ranking, com US$ 22,9 bilhões pagos, superando o total distribuído por todas as empresas brasileiras juntas no mesmo período.

Empresas do setor de tecnologia e instituições financeiras tiveram papel central no crescimento global da distribuição.

A Meta, Alphabet e Alibaba contribuíram com US$ 15,1 bilhões, valor que representou cerca de 20% da elevação total observada em 2024.

O setor bancário global também registrou aumento nos pagamentos, com alta de 12,5%, refletindo o desempenho financeiro das instituições após um período de ajustes operacionais.

A gerente de portfólio da Janus Henderson, Jane Shoemake, avaliou que “algumas das empresas mais valiosas do mundo, particularmente aquelas com raízes no setor de tecnologia dos EUA, estão começando a pagar dividendos pela primeira vez, e estão dando um incentivo significativo ao crescimento de dividendos global”.

Projeções para 2025 indicam novo recorde, mas com incertezas no cenário global

Para 2025, a Janus Henderson projeta que os dividendos distribuídos globalmente possam alcançar um novo recorde, estimado em US$ 1,83 trilhão, o que representaria um crescimento de 5% em relação a 2024. A gestora, no entanto, aponta riscos para o desempenho do mercado, relacionados à instabilidade econômica e a possíveis conflitos comerciais.

Shoemake afirmou que “espera-se que a economia global continue a crescer a um ritmo razoável, mas o risco de tarifas e possíveis guerras comerciais, juntamente com o alto nível de empréstimos do governo em muitas grandes economias, pode levar a uma maior volatilidade do mercado em 2025”.

Ainda segundo a gestora, a expectativa de crescimento de 10% nos lucros corporativos pode sustentar os níveis de pagamento de dividendos. Shoemake destacou que “a boa notícia para os investidores em renda é que os dividendos geralmente se mostram muito mais resilientes do que os lucros através dos ciclos econômicos”.

Mercado brasileiro permanece abaixo de médias internacionais

Apesar da recuperação em relação a 2023, o Brasil segue abaixo da média de crescimento dos mercados emergentes e do desempenho global. O setor corporativo nacional enfrenta desafios como a volatilidade de preços de commodities, limitações operacionais e incertezas econômicas internas, que afetam a capacidade de geração de caixa e, consequentemente, a política de distribuição de lucros.

O relatório da Janus Henderson também mostra que a concentração dos dividendos entre poucas empresas segue como uma característica do mercado brasileiro. Petrobras e Vale responderam por mais de dois terços dos valores pagos no país em 2024, o que reforça a influência dessas companhias na composição dos rendimentos dos acionistas nacionais.

A depender do desempenho das commodities e da política de remuneração das principais empresas listadas, o Brasil poderá ampliar sua participação nos dividendos globais nos próximos anos. No entanto, a recuperação ainda depende de fatores externos e de decisões estratégicas das companhias que lideram o mercado de capitais no país.

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