
A empresa norte-americana Neuralink, fundada por Elon Musk, planeja realizar até o final de 2025 o primeiro implante humano do dispositivo Blindsight, desenvolvido para auxiliar pessoas com perda total de visão.
A informação foi confirmada pelo próprio Musk, por meio de uma publicação na plataforma X (antigo Twitter), após ter sido inicialmente divulgada por um usuário da rede.
Segundo a publicação, “a Neuralink, empresa de Elon Musk, planeja implantar seu novo dispositivo Blindsight em um humano pela primeira vez até o final de 2025. Essa tecnologia visa restaurar a visão de pessoas completamente cegas”.
O dispositivo Blindsight integra a linha de produtos de interface cérebro-computador da empresa, voltada para a restauração de capacidades sensoriais e motoras por meio de implantes cerebrais. De acordo com Elon Musk, o aparelho permitirá inicialmente uma forma de visão básica.
Em setembro de 2024, o empresário afirmou que, em estágios posteriores, o dispositivo poderá expandir a percepção visual para além do espectro humano, incluindo a detecção de luz infravermelha, ultravioleta e ondas de radar.
A Neuralink informou que o Blindsight recebeu aprovação da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos responsável pela autorização de produtos médicos, o que viabiliza o início dos testes clínicos em humanos.
O anúncio ocorre poucos meses após a realização do primeiro implante de outro dispositivo da Neuralink, o chip cerebral chamado Telepathy. O procedimento foi realizado em 30 de janeiro de 2024. Segundo Musk, o Telepathy “permite que você controle seu telefone ou computador e, por meio deles, quase qualquer dispositivo, apenas pensando”.
A empresa descreve o Telepathy como uma interface cérebro-máquina totalmente implantável, com aplicação voltada inicialmente a pessoas com deficiências motoras. O produto é acoplado por meio de um procedimento cirúrgico assistido por robôs, também desenvolvidos pela própria companhia.
Fundada em 2016, a Neuralink Corporation apresenta sua missão institucional como “criar uma interface cerebral abrangente para restaurar a autonomia daqueles com necessidades médicas não atendidas hoje e desbloquear o potencial humano de amanhã”. A empresa declara que seu sistema de interface cérebro-computador é “totalmente implantável e cosmeticamente invisível”.
A Neuralink atua no setor de neurotecnologia com o objetivo de viabilizar conexões diretas entre o cérebro humano e dispositivos eletrônicos externos. Os projetos da empresa incluem soluções para restaurar capacidades motoras, auditivas e visuais por meio de estimulação neural direta.
Com a introdução do Blindsight, a companhia amplia sua área de atuação, agora voltada para pessoas com deficiência visual, incluindo indivíduos que nasceram cegos. A aplicação da tecnologia será avaliada nos testes clínicos previstos para os próximos meses, conforme os protocolos estabelecidos pela FDA.
A empresa não divulgou detalhes técnicos sobre o procedimento cirúrgico específico para o implante do Blindsight, nem informou o perfil dos pacientes que serão incluídos nos primeiros testes. Também não há previsão oficial para a comercialização do dispositivo, que seguirá em fase experimental após o primeiro implante.
O avanço anunciado pela Neuralink ocorre em meio à crescente concorrência no setor de neurotecnologia, com empresas de biotecnologia e centros acadêmicos desenvolvendo projetos semelhantes de interfaces neurais. O foco comum é a criação de sistemas capazes de restaurar funções sensoriais e motoras por meio da interação entre circuitos eletrônicos e neurônios humanos.
As tecnologias da Neuralink seguem sob avaliação de especialistas e autoridades reguladoras, tanto pela complexidade técnica quanto pelos potenciais impactos éticos, médicos e sociais relacionados ao uso de implantes cerebrais. O desenvolvimento dos dispositivos permanece sujeito a normas internacionais de segurança biomédica e acompanhamento clínico em longo prazo.
O primeiro teste do Blindsight será um marco nos estudos sobre visão assistida por meio de interfaces neurais, caso o procedimento ocorra dentro do cronograma divulgado. O resultado dos testes deverá contribuir para as discussões sobre os limites e possibilidades da tecnologia em intervenções no sistema nervoso central.
Com informações da Sputnik