
Analistas do mercado financeiro mantiveram suas estimativas para os principais indicadores econômicos de 2025, com destaque para a estabilidade nas projeções de inflação e taxa básica de juros.
Ao mesmo tempo, houve leve recuo na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano. Os dados constam na edição mais recente da pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central.
A projeção mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025 foi mantida em 5,65%, mesmo valor registrado na semana anterior.
A estabilidade ocorre após um período de 19 semanas consecutivas de revisão para cima nas estimativas, ao longo do primeiro semestre deste ano.
Para 2026, a expectativa dos analistas consultados é de que a inflação feche o ano em 4,50%, também sem alteração em relação à pesquisa anterior. A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
As projeções do Focus seguem a divulgação, na semana passada, do Relatório de Política Monetária do Banco Central. O documento atualizou as estimativas da própria autoridade monetária para os principais indicadores, incluindo a previsão de inflação acima do teto da meta em 2025.
Segundo o BC, a inflação acumulada em 12 meses deve se manter entre 5,5% e 5,6% nos três primeiros trimestres de 2025, com recuo para 5,1% no quarto trimestre.
A projeção do crescimento econômico para 2025 foi revisada para baixo, de 1,98% para 1,97%. Já para 2026, a expectativa de crescimento do PIB foi mantida em 1,60%.
O Relatório de Política Monetária também apontou uma redução nas expectativas do próprio Banco Central para o crescimento da economia em 2025, com a estimativa passando de 2,1% para 1,9%.
No que se refere à política monetária, os analistas mantiveram a projeção de que a taxa Selic encerre 2025 em 15,00%. Esta é a 12ª semana consecutiva em que o mercado sustenta essa expectativa. Para 2026, a previsão para a taxa básica de juros segue em 12,50%.
A pesquisa Focus também trouxe atualizações nas expectativas para o câmbio. A estimativa para a cotação do dólar ao final de 2025 recuou de R$ 5,95 para R$ 5,92. Para 2026, o mercado manteve a previsão de R$ 6,00.
A moeda norte-americana registra queda acumulada de 6,74% em 2025, em movimento influenciado por ajustes de mercado após valorização observada no final do ano passado.
A recente desvalorização também está associada à instabilidade nos mercados internacionais, diante da incerteza sobre políticas tarifárias da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O mercado financeiro também acompanhou, na semana passada, a divulgação do IPCA-15 de março. O indicador, que antecipa a tendência da inflação oficial, mostrou desaceleração acima do esperado, mesmo com a alta nos preços dos alimentos. A taxa acumulada em 12 meses, no entanto, continua no patamar mais elevado dos últimos dois anos.
As pressões inflacionárias sobre alimentos permanecem no foco de atenção do governo, que avalia medidas para mitigar seus efeitos. Segundo integrantes do Executivo, o comportamento desses preços tem peso relevante na composição geral da inflação e, por isso, será alvo de políticas específicas nas próximas semanas.
A pesquisa Focus é divulgada semanalmente pelo Banco Central e compila estimativas de mais de 100 instituições financeiras e consultorias sobre os principais indicadores macroeconômicos do país. Os dados servem como referência para decisões de política econômica e projeções de mercado.