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Auditoria pode fazer BRB rever aquisição do Banco Master

A aquisição de 58% do capital total do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, provocou repercussões no sistema financeiro e levantou questionamentos entre grandes instituições privadas sobre os riscos e implicações da operação. A transação será submetida à análise técnica do Banco Central, conforme previsto na Resolução CMN […]

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REPRODUÇÃO

A aquisição de 58% do capital total do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo do Distrito Federal, provocou repercussões no sistema financeiro e levantou questionamentos entre grandes instituições privadas sobre os riscos e implicações da operação. A transação será submetida à análise técnica do Banco Central, conforme previsto na Resolução CMN nº 4.970/21.

Segundo informações divulgadas pelo portal Pipeline, do Valor Econômico, representantes de bancos privados classificaram a operação como uma transferência de responsabilidade privada para o setor público.

O foco da preocupação recai sobre o modelo de captação do Banco Master, baseado em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração média de 120% do CDI, o que resultou em um passivo de aproximadamente R$ 70 bilhões. Desse total, cerca de R$ 50 bilhões estariam garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O BRB declarou que não haverá necessidade de capitalização pública e que a operação ainda está em fase de avaliação. Uma equipe composta por 54 profissionais está encarregada da auditoria dos ativos do Banco Master, segundo comunicado do banco.

O BRB informou ainda que a conclusão da auditoria poderá resultar em ajustes na precificação ou na estrutura final do negócio, incluindo exclusões de determinadas áreas.

Fontes do setor bancário relataram insatisfação com a condução do processo, argumentando que havia uma alternativa em negociação liderada pelo BTG Pactual, envolvendo compra de ativos, aporte via FGC e mudança de controle.

Segundo uma dessas fontes, “havia uma discussão privada para um problema privado. Agora, esse problema está sendo transformado em estatal.”

Apesar da aquisição de 58% do capital total, o BRB não terá controle acionário do Banco Master, uma vez que o atual controlador, Daniel Vorcaro, manterá maioria das ações com poder de voto. De acordo com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, essa configuração foi estratégica.

“É fundamental essa estrutura, porque se tivéssemos o controle seria uma estatização do Master. Na sociedade com a Wiz, por exemplo, eles têm 51%”, afirmou.

Segundo Costa, haverá um acordo de acionistas com participação conjunta nas decisões de governança, incluindo voto afirmativo do BRB em temas como compra e venda de ativos, nomeações de executivos e obrigações futuras.

A governança da subsidiária voltada ao segmento atacado seguirá modelo alternado. O Banco Master e o BRB indicarão, a cada dois anos, o presidente do conselho (chairman) e o diretor executivo (CEO). No primeiro ciclo, Vorcaro será o chairman, enquanto o BRB indicará o CEO, ainda não definido.

Daniel Vorcaro negou que o Banco Master estivesse próximo de intervenção ou liquidação, mas reconheceu dificuldades operacionais e mudanças nas regras do FGC que impactaram sua capacidade de captação.

“Estava na linha de tiro. Tem um ano que estou lidando com fake news direto sobre o banco, e a mudança do FGC complicou a situação de funding. O problema não é o estoque, mas a restrição para captação. A transação com o BRB é uma virada de mesa nossa”, declarou.

Vorcaro também afirmou que continuava em negociações com fundos estrangeiros e que poderá incluir novos sócios em sua operação de participações.

O BRB, por sua vez, considerou realizar uma capitalização via follow-on no ano passado, mas descartou a ideia devido às condições de mercado. O banco informou que pretende utilizar recursos próprios para quitar a primeira parcela do valor acordado na transação.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), manifestou apoio à operação, mas o BRB nega qualquer tipo de interferência política.

“A condução foi estritamente técnica. Desde 2019 definimos um posicionamento estratégico para crescimento do BRB e competitividade frente à concorrência, que inclui aquisições, crescimento da carteira de crédito, do total de ativos e presença física”, declarou Costa.

A operação chamou atenção do mercado também devido à situação regulatória do BRB, classificado como instituição de porte médio com Índice de Basileia considerado limitado.

O modelo de negócios do Master, que inclui ativos como precatórios e participações empresariais, tem avaliação de risco considerada elevada. A vertical de investimentos do Master, contudo, ficou fora do escopo da transação.

A atuação do Banco Central foi mencionada por executivos do setor como ponto de preocupação. “No fim do ano passado, a preocupação já era enorme, e o regulador seguia aprovando aquisições e dando tolerância de prazos para capitalização. Agora, está nas mãos do BC mais uma vez”, disse uma fonte do mercado financeiro.

Em nota enviada ao Pipeline, o Banco Central informou que ainda não iniciou a análise formal da operação.

“Quando protocolado o pedido pelo Banco Master S.A. relacionado à modificação do seu controle acionário, o Banco Central do Brasil vai avaliar o pedido tecnicamente quanto ao cumprimento dos requisitos aplicáveis a operações da espécie, previstos na Resolução CMN nº 4.970/21”, declarou a autarquia.

O mercado também observa possíveis conexões políticas na operação. Em 2023, o senador Ciro Nogueira (Progressistas/PI) apresentou emenda à PEC 65/2023 propondo elevar o teto da cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

A proposta foi interpretada por analistas como potencialmente favorável ao Banco Master. O gabinete do senador não se manifestou sobre o assunto.

A operação segue em análise, acompanhada de perto por instituições financeiras, autoridades reguladoras e agentes políticos, diante de seus possíveis impactos financeiros e institucionais.

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