Estudo revela que as tarifas de Trump sobre a China podem prejudicar a economia dos EUA mais do que os dados oficiais sugerem, ampliando incertezas comerciais
Novas pesquisas sugerem que as tarifas mais recentes impostas pelo presidente Donald Trump sobre as importações da China podem afetar a economia americana mais do que os dados oficiais de comércio dos EUA indicam. Segundo o Bloomberg, o impacto, de acordo com um estudo de economistas do Federal Reserve Bank de Nova York, será especialmente severo se o governo Trump acabar com o tratamento favorável dado às chamadas importações “de minimis” — aquelas com valor inferior a US$ 800.
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“As importações dos EUA da China diminuíram muito menos do que foi relatado nas estatísticas oficiais dos EUA”, escreveu Hunter L. Clark, pesquisador do Fed de Nova York, em um post publicado na quarta-feira. “Como resultado, o recente aumento das tarifas sobre a China pode ter um impacto maior na economia americana do que sugerem os dados oficiais dos EUA sobre a participação das importações chinesas.”
Não há dúvida de que o tratamento mais rigoroso dado aos produtos chineses durante o primeiro governo Trump, grande parte do qual foi mantido pelo governo Biden, reduziu a participação da China nas importações dos EUA. Mas em quanto? A resposta varia dependendo de qual país você escolhe acreditar.
Os dados dos EUA mostram que as importações da China caíram para 13,4% do total de importações em 2024, ante 21,6% em 2018. Em termos nominais, elas caíram US$ 66 bilhões, para US$ 439 bilhões nesse período.
Já os dados da China contam uma história diferente. Eles mostram que “as exportações como participação no mercado de importação dos EUA caíram apenas 2,5 pontos percentuais, menos de um terço da queda mostrada nos dados dos EUA”, segundo o post. Os dados chineses também indicam que o valor nominal das exportações aumentou US$ 91,2 bilhões, para US$ 524 bilhões.
“Simplificando, os EUA estão dizendo que compram muito menos da China do que a China afirma estar vendendo”, escreveu Clark.
Assim, o impacto das novas tarifas pode ser maior do que o esperado.
Isenção de minimis
O impacto será amplificado se Trump eliminar o limite de isenção para importações diretas ao consumidor. Esse limite foi aumentado de US$ 200 para US$ 800 em 2016, contribuindo para um “crescimento explosivo” nesses pedidos, o que provavelmente explica grande parte da discrepância entre as estatísticas dos EUA e da China, segundo Clark.
Desde que retornou à Casa Branca em janeiro, Trump impôs uma nova tarifa de 10% sobre produtos chineses. Ele também anunciou, e depois adiou, um plano para acabar com as isenções tarifárias para mercadorias “de minimis” da China e de Hong Kong com valor inferior a US$ 800.
Essas importações menores da China para os EUA são difíceis de medir, mas estão crescendo rapidamente. Os números da China conflitam com as estimativas do Congressional Research Service, mas ambas as fontes sugerem que o volume disparou.
“Parece altamente plausível que as importações de minimis dos EUA da China tenham aumentado pelo menos 50%, ou até mais que o dobro, e tenham ultrapassado US$ 50 bilhões no ano passado”, escreveu Clark. “Isso sugere que os consumidores americanos podem enfrentar consequências maiores do que aparentam com o recente aumento de 10 pontos percentuais nas tarifas, caso a exceção de minimis seja eliminada para a China e os vendedores chineses não reduzam suas margens de lucro cortando os preços de exportação.”