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Eleição na Venezuela,de novo! Oposição se inscreve em massa. Mas não era uma ditadura que manipulava eleição?

Escrito por , Postado em Tulio Ribeiro



Imagens: Capriles pede apoio ao golpe contra Maduro a parlamentares do Brasil (1-agência senado); Guarimberos financiados pelo MUD e EUA ateiam fogo em Orlando Figuera que morre no hospital; (2- Agência Sunoticero) Julio Borges, atual presidente da assembléia, Leopoldo López e Capriles na declaração como gestores do golpe contra Chávez em 2002 (3-Diario Critico).

Eis que, um dia após a eleição da constituinte, o comando da oposição declarou que não reconhecia o resultado, bem como as cifras do Conselho Nacional Eleitoral. O presidente da assembléia, deputado Júlio Borges do ¨Primero Justicia¨ declarava: “a Venezuela amanheceu mais dividida diante dos números do CNE, não acredito nesta participação”. Fazia eco a esta abordagem o líder do ¨Voluntad Popular¨, o deputado Freddy Guevara: “senão é uma tragédia uma eleição que custou 16 assassinatos, significa a própria crise, portanto dou risada da cifra no CNE”. O objetivo planejado era desacreditar a eleição, fomentando a ideia de que apenas 15% de participação e lançando dúvidas a contagem dos votos.

Na sede do CNE, na”Plaza Caracas”, a presidente Tibisay Lucena informou a votação de 8089320 venezuelanos que representa 41,53% dos aptos a votar, calculado que a oposição não participou, significa 1000000 votos a mais que Maduro obteve para vencer Capriles em 2013. Interessante registrar que este índice é maior que dos presidentes Macri da Argentina, com 34,33% e Pedro Paulo Kuczynsky com 21,01% do Peru, no primeiro turno de suas respectivas eleições e contundentes perseguidores do governo da Venezuela.

A posição de sectarismo contra a eleição da constituinte era aberta, Freddy Guevara e Júlio Borges convocaram novas manifestações logo após do resultado. O discurso era de violência e confronto: “não vamos sair das ruas até derrubarmos Maduro e mudar esse conselho eleitoral”. Era de conhecimento geral que a oposição não participaria de novas eleições que não envolvesse a presidência, atos violentos internamente e pressão internacional eram os axiomas para chegar ao poder.

Entrementes, quando o CNE antecipou as eleições para governador, de dezembro para outubro deste ano, a prática oposicionista, através de seus partidos, foi totalmente contrária ao discurso. Conclusivamente, a falta de participação na eleição para constituinte pela MUD (Mesa Unidade Democrática) permitiu uma totalidade para forças políticas do governo, e repetir o erro para os estados seria persistir no desacerto. Assim, partidos como “Primero Justicia” de Capriles e Julio Borges, “Voluntad Popular” de Leopoldo López e Freddy Guevara, junto com outros da frente (Acción Democratica, COPEI,¨Convergencia e ¨Un Nuevo Tiempo¨) não esperaram o final do prazo, escrevendo 198 candidatos. Este ato possui enorme representatividade de homologar as eleições, o CNE e as máquinas eleitorais utilizadas desde 2004. A oposição perdeu a constituinte e o discurso nesta seara.

No outro lado, pelo chavismo, “O Grande Polo Patriótico Simón Bolivar” comemorou em 16 de agosto o que definiu como “coligação perfeita”. Jorge Rodrigues, prefeito de Caracas (distrito federal) externava numa entrevista na Universidade Bolivariana que o grupo de partidos teriam candidatos nos 23 estados do país: PSUV (socialista), PCV (comunista), ORA (evangélico), PTT (pátria para todos), Movimento Tupamaro da Venezuela, MEP (movimento Eleitoral do Povo), IPCN (independente por comunidade nacional) e Podemos (democracia social). A organização eleitoral apresentava via sua presidente Tibisay Lucena (CNE) um balanço de 800 postulantes, 1534 inscrições por internet (542 homologadas) e 226 candidatos oficializados aos comícios regionais. Diante disto, o processo eleitoral atacado por países comandados pelo Estados Unidos e internamente o pelo MUD, transformou-se num “consenso”.

É possível desconstruir a ideia de posição democrática do MUD. Um dos candidatos pela província de Táchira é o deputado Juan Requesens (Primero Justicia), que liderou ataques violentos ao prédio do Tribunal de Justiça e o canal de televisão estatal VTV. Em mesmo sentido, a coordenação de Freddy Guevara (PV), na campanha nacional, é de longe contraditória, para uma eleição democrática, já que ele centralizou pagamentos aos ¨guarimberos¨ que de forma terrorista praticaram incêndios, destruições em escolas, hospitais e, inclusive, no conselho eleitoral. O grande olhar do chavismo é manter ou ampliar sua maioria, hoje em 20 dos 23 estados, mas principalmente eleger o deputado Hector Rodrigues (PSUV) em Miranda, hoje administrada por Henrique Capriles e financiadora das manifestações na área nobre da grande Caracas.

Em suma, é possível concluir que a mudança de postura da oposição representa um contraditório que se torna aparente. Os discursos que apontavam para uma comunidade internacional complacente que a Venezuela não era uma democracia e possuía eleições fraudadas, abriu espaço para uma prática totalmente diferente. Após o erro histórico de não participar da última eleição (ocorrido em 2004 também), o MUD volta a realidade que a violência e o terrorismo devem dar voz a negociação e a eleição. Ao homologar a democracia venezuelana no seu ato de conformidade ao processo eleitoral, ela busca um caminho de volta ao campo político. O resto era discurso e, infelizmente, 132 mortes.

FONTES

1) Guanipa, Ronaldo Balza. Venezuela 2015, economia, política y sociedad. Caracas. Fundación Korad Adenauer, 2015.
2) Silva, Flávio T. R. A política de estado sobre recursos do petróleo, o caso venezuelano. São Paulo: Editora Pillares, 2016.

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