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quarta-feira

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agosto 2017

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Parente faz petroleiros pagarem a conta dos deputados de Temer

Escrito por , Postado em Petrobrás, Tadeu Porto



Foto: Marcos Corrêa/PR

Por Tadeu Porto

Nessa indecisão do “sobe muito ou sobe pouco” do rombo fiscal, que já fez O Cafezinho liderar a campanha de que Temer montou o nightmare team da economia, um fato não isolado saltou os olhos: Meirelles se reuniu com Parente para discutir a nova meta do governo.

Bom, não há nada demais em considerar a Petrobrás como ferramenta essencial para políticas e projetos nacionais, exceto, claro, a latente hipocrisia de Parente em participar de reuniões tão importantes para o governo, afinal o ex-ministro da casa civil de FHC declara, aos quatro cantos do mundo, que não é político.

[Sei. Pedro Parente consegue a façanha de participar de uma reunião com o ministro do planejamento e o ministro da fazenda, antes de um grande anuncio do governo e não ser político. Que mágico.]

É certo que a Petrobrás precisa mesmo participar da política nacional, como escrevi no parágrafo anterior, mas, dessa vez, a maior empresa do país foi convocada não para aquecer a economia do país, como fez na crise subprime de 2009, mas sim para participar do jogo sujo de Michel Temer e sua relação promíscua com o legislativo.

E três notícias dessa semana, analisadas em conjunto, deixam muito claro o papel que Parente reserva para a Petrobrás e a categoria petroleira: salvar Temer a todo custo.



A primeira notícia, assinada pela Leila Coimbra no Poder360, diz que o governo prepara um pacote de privatizações de R$ 90 bilhões de reais. E entre as vendas estão os campos de petróleo tanto do pós-sal quanto do pré-sal, que renderia ao governo quase R$ 20,00 bilhões de reais segundo a reportagem. Leila escreve:

“A saída é concentrar esforços para vender usinas hidrelétricas, aeroportos, blocos de petróleo, e outros ativos como a Lotex (Loteria da Caixa). Se o governo for bem-sucedido em seus planos de privatizações, poderá arrecadar R$ 28 bilhões nos poucos meses que restam de 2017″

Ou seja: O governo conta com a renda dos blocos do petróleo para arrecadar dinheiro e melhorar a situação fiscal. Guardem, por favor, essa informação.

Na segunda matéria Meirelles explica, mais ou menos, em publicação da EBC, que o anúncio do novo déficit fiscal será adiado mais uma vez. Diz ministro:

“Nós não temos nada definido neste momento, porque estamos inclusive em processo de revisão de receitas extraordinárias, principalmente da área elétrica, de energia, campos de petróleo. Eu terei uma reunião hoje com o presidente da Petrobrás pra aprofundar este assunto, já estive ontem com o ministro de Minas e Energia, continuamos as reuniões e até amanhã nós teremos então a finalização da revisão deste processo”

Vejamos: O governo confirma que espera o dinheiro dos blocos de exploração do petróleo para arrecadar receitas extraordinárias. Essa, é a informação número dois.

Mas não tem como tirar dinheiro de outro lugar? Tem mesmo que entregar o petróleo?

Por fim, temos o texto do Blog do Josias, “Temer repassou cheque sem fundos a aliados”. O colunista da UOL descreve:

Um dos aliados de Michel Temer no Congresso, expoente do aglomerado partidário batizado de centrão, esclarece: “Não somos precisamente contra os cortes de gastos públicos. Somos apenas contra ser cortados.” e mais “Na hora de pedir o nosso voto contra a denúncia do procurador-geral, ninguém no governo falava em meta fiscal. Agora, não dá para dizer simplesmente que o cheque pré-datado não tinha fundos.”

Souza descreve o que o país está cansado de saber, que a fisiologia salvou Temer da denúncia do Janot.

Oras, não é difícil imaginar que um congresso que elegeu Cunha como presidente, cobraria a fatura de Michel Temer para poder assegurar votos na câmara. É factível inferir, também, que as emendas parlamentares e os perdões de dívidas são grandes ferramentas para isso.

O grande detalhe é, justamente, de onde o governo vai tirar essa grana. E as discussões sobre a meta fiscal, como demonstrou o Blog do Josias, deixa muito claro que o governo não quis mexer com os parlamentares para, como disse a notícia do Poder360,  arrumar dinheiro com a privatização, o que envolve diretamente o futuro da Petrobrás.

Juntando isso ao fato de Meirelles consultar Pedro Parente – pessoalmente – para anunciar o aumento do rombo fiscal, temos uma conclusão plausível de que Temer, Parente e Meirelles rifaram a nossa estatal de petróleo para que o presidente usurpador pudesse continuar no poder, mesmo sendo pego num áudio totalmente questionável – um encontro às escuras com um mega empresário –  e tendo seu principal assessor pego carregando uma mala de 500 mil reais.

Vale ressaltar, ainda, que Parente anunciou um processo de venda dos principais ativos da Petrobrás, pouco antes de anunciar um balanço no qual a nossa estatal de petróleo resolveu antecipar uma dívida de quase 7 bilhões de reais com o Estado. Vale lembrar, também, que ruralistas tiveram um perdão fiscal de 10 bilhões de reais e “coincidentemente” também votaram a favor de Michel Temer contra a denúncia de Rodrigo Janot.

Ou seja, não só a Petrobrás deve abrir mão do seu futuro, entregando seus campos de petróleo a preço de banana para Temer arrumar dinheiro mais rápido, mas também a companhia deve servir para antecipar dívidas fiscais enquanto a aristocracia brasileira se esbanjar num Refis que fará a União perder meio trilhão de reais.

E Parente, o “não político”, segue o plano que começou lá nos anos 90, quando aprovou o nome Petrobrax do seu amigo Reichstul: privatizar a empresa. E como não conseguiu no voto com FHC, vai agora no Golpe e na fisiologia mesmo, se aliando ao pior presidente da história do país.

E os petroleiras e petroleiros são apenas mais um grupo de pessoas que pagam o pato do Golpe.

 

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