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agosto 2017

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Carne perde participação nas exportações brasileiras

Escrito por , Postado em Cafezinho Econômico, Miguel do Rosário



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A Operação Carne Fraca, iniciativa irresponsável dos mesmos núcleos jurídicos da Lava Jato curitibana, planejada provavelmente como mais um ataque contra o governo Dilma (veio à tôna quando Dilma já fora derrubada pelo golpe, então acabou sendo usada para outros fins, mas sempre com objetivo de desestabilizar o país), produziu um efeito dramático sobre as exportações brasileiras de carne nos últimos quatro meses.

As exportações de alguns tipos de carne, como as de peru, sofreram queda de mais de 40%, de abril a julho deste ano, na comparação com igual período de 2016.

No conjunto das exportações brasileiras, as carnes perderam posição: saíram de um firme terceiro lugar, que vinham ocupando nos últimos anos, atrás apenas de soja e minérios, para o sexto lugar no ranking. Em 2016, respondiam por 6,68% das exportações brasileiras. Este ano, por apenas 5,9%.

Entretanto, há uma diferença fundamental entre a soja, minérios e carnes: o valor agregado. Enquanto nossos minérios são exportados por um valor médio de 53 dólares a tonelada, nossas carnes são vendidas lá fora por mais de 2 mil dólares a tonelada.

O alto valor agregado da carne é o que a torna um produto de maior concorrência no mercado internacional.

No total dos últimos 4 meses, as exportações brasileiras de carne caíram 8,5% em quantidade. É uma queda substancial, sobretudo considerando que nosso principal concorrente, os EUA, vem aumentando rapidamente suas exportações.

Segundo a Federação Estadunidense de Exportadores de Carne (USMef), as exportações de carne bovina dos EUA cresceram fortemente nos últimos anos. Na verdade, os EUA voltaram a ficar em primeiro lugar no ranking mundial de exportação de carne bovina desde alguns anos.

Em 2016, segundo o Comtrade, banco de dados da ONU, os EUA exportaram o equivalente a US$ 14 bilhões em carnes de todos os os tipos, o que representou 14% do total global, enquanto as vendas brasileiras geraram US$ 12,65 bilhões, ou 12,5% do total.

Brasil e EUA disputam diretamente o mercado de carne. Ambos buscam os mesmos mercados. Qualquer mercado perdido pela carne brasileira é imediatamente conquistado pela carne dos EUA.

 

Quando olhamos apenas para o mercado de carne bovina, vê-se que os EUA aumentaram suas exportações, de 2007 a 2016, em 142% em receita e 54% em quantidade, enquanto o Brasil, no mesmo período, registrou aumento de receita de 32% e queda de quantidade de 19%.

Observe que, no ano de 2014, Brasil e EUA registraram números recordes de receita de exportação de carne bovina.

Ambos se beneficiaram do consumo per capita de carne bovina na China, que se multiplicou por quatro vezes dos anos 90 (quando era menos de 1 kg)  até os dias atuais (perto de 4 kg). Até 2025, segundo projeções da OECD, o chinês está consumindo um pouco mais de 4,5 kg de carne per capita.

Entretanto, o ritmo de crescimento do consumo chinês de carne caiu brutalmente a partir dos primeiros anos do novo milênio, chegando mesmo a cair em 2003. Em 2013, há um aumento pontual do consumo per capita chinês, o que explica o aumento das exportações de Brasil e EUA. Nos anos seguintes, as taxas voltam a cair e as projeções são de que permaneçam baixas até 2025.

 

 

 

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  1. Luiz Carlos P. Oliveira
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