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julho 2017

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As instituições sempre foram isso aí e a imprensa continua a mesma

Escrito por , Postado em Redação, Wellington Calasans



Por Wellington Calasans, Colunista do Cafezinho

Foto: Arquivo/Wellington Calasans

São muitos os motivos para a revolta popular. É inquestionável que a estratégia do golpe é de implementar rapidamente ações que reduzam os poderes do povo e quaisquer sinais de resistência, entre eles os partidos de esquerda, sindicatos e forças populares.

O golpe é um processo continuado e a revolta do povo será a “cereja do bolo” para que, através da radicalização das forças opressoras do estado, os atuais representantes do mercado financeiro, os mesmos que lideraram o golpe, mantenham o desmonte e a destruição do estado social à força por muitos anos, até que se tornem irreversíveis.

As recentes decisões do STF são uma prova incontestável da parcialidade da justiça brasileira, mas vão além disso. Fazem parte da estratégia de produzir a revolta, mas, ao mesmo tempo, gerar o desânimo na sociedade. É para isso que são tomadas decisões como a de devolver a Aécio Neves o direito de exercer o cargo de senador, além do próprio STF salvar a pele de Temer, liberar Rodrigo Loures da cadeia, etc.

O papel sujo da imprensa também fica evidenciado quando assistimos revoltados ao tapa na cara da sociedade dado pela Globo ao chamar de “maré de sorte” as decisões tendenciosas do STF, todas favoráveis ao senador. Qualquer imprensa comprometida com a seriedade daria a isso, no mínimo, o nome de parcialidade.

O STF foi além ao provocar o povo, através da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, com a declaração de que “o clamor por justiça que hoje se ouve em todos os cantos do país não será ignorado em qualquer decisão desta Corte. Não seremos ausentes aos que de nós esperam a atuação rigorosa para manter sua esperança de justiça. Não seremos avaros em nossa ação para garantir a efetividade da justiça”. Nem ela mesma acredita nisso.

Com um olho no calendário e outro nas eleições, golpistas no poder e oposição lutam para que 2017 acabe. Ao atual governo interessa a aprovacão rápida, ainda este ano, das pautas contra o povo. À oposição restou a “catimba” que, na prática, é uma tentativa de empurrar para próximo das eleições essas pautas que serão fatais nas urnas para quem aprová-las mais à frente. O povo é apenas eleitor.

A situação (política, justiça e imprensa) sabe que Temer não é mais presidente de nada e a luta é para atender aos verdadeiros patrões (o mercado financeiro) na aprovação de pautas e a condenação de Lula. O Brasil está parado e o povo acuado. Com essa oposição, se houver uma reação popular, a ditadura será oficializada. Não há justiça, não há nenhum sinal de compromisso com o país e com o povo.

O certo é que a resistência é fraca e constrói um grande paradoxo entre a revolta e a acomodação. Não é possível à oposição chamar este momento de golpe e esperar “gesto nobre das instituições”, todas elas mergulhadas no próprio golpe que esta mesma oposição afirma denunciar. Por incrível que pareça vem do próprio PMDB, através do Senador Roberto Requião, as críticas mais ácidas e a convocatória para a insubordinação civil, única saída para barrar tudo isso.

Quando a sociedade é vista apenas como um conjunto de eleitores, o país já está derrotado. As instituições agora voltaram a funcionar normalmente, pois políticos, imprensa e justiça, historicamente, sempre foram isso. O pequeno intervalo democrático dos últimos anos, que veio como pausa para a reorganização dos verdadeiros donos do Brasil, a elite, acabou. Ao povo restou a certeza de que sem luta seremos todos escravos. Temos que romper o monopólio da imprensa para avisar isso ao povo.

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