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junho 2017

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A incoerência do PSDB imposta pelo mercado

Escrito por , Postado em Luis Edmundo Araujo

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“Com certeza há uma incoerência nisso, mas foi a história que nos impôs. Esse não é o meu governo, nem o governo dos meus sonhos. Não votei nele (Temer) nem nela (Dilma)”.

A declaração acima é do senador Tasso Jereissati, presidente interino do PSDB na ausência do suspenso Aécio Neves, para justificar as últimas decisões do partido.

O PSDB entrou com a ação para cassar a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer só para “encher o saco” do PT, como revelou Aécio Neves. Depois da derrota nada lamentada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os tucanos fecharam apoio a Temer e ao mesmo tempo decidiram recorrer da absolvição do presidente.

“Estamos juntos para dar a estabilidade que o país precisa”, continuou Jereissati. E para os tucanos a tal estabilidade será conquistada com as reformas trabalhista e previdenciária, além do congelamento dos gastos públicos.

Que a economia nacional seja entregue à regência do mercado, isso é o mais importante, com Temer ou sem Temer. E se no caminho acelerado até o objetivo final algo parecer incoerente, sem nexo nem sinceridade, haverá sempre alguém como Jereissati para, afinal de contas, culpar a história.

Abaixo, a matéria do Jornal do Brasil

O presidente nacional interino do PSDB,  senador Tasso Jereissati (CE), disse na noite de segunda-feira (12) que o partido segue na base de apoio ao governo Michel Temer, mas que serão feitas avaliações diárias dos cenários políticos.

Contudo, Tasso defendeu que o partido recorra da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que absolveu a chapa Dilma-Temer. Ele disse que os advogados do partido vão aguardar a publicação do acórdão e depois submeter a decisão à executiva.

“Eu, como presidente, penso que devemos recorrer. O advogado quer esperar a publicação (do acórdão). Vamos continuar no governo Temer, sem deixar de lado as nossas convicções. E eu estou convicto de que houve corrupção na eleição de 2014”.

Perguntado se essa posição não seria incoerente, o tucano reconheceu que sim, mas que prefere seguir suas convicções. “Com certeza há uma incoerência nisso, mas foi a história que nos impôs. Esse não é o meu governo, nem o governo dos meus sonhos. Não votei nele (Temer) nem nela (Dilma). Estamos juntos para dar a estabilidade que o país precisa. Estaria mais confortável com alguém do PSDB (na Presidência)”.

Aliança

“Vamos avaliar (o governo) diariamente. Todos os dias têm surgido fatos novos e vamos estar atentos”, disse o senador ao final da reunião da executiva nacional, que durou mais de seis horas.

Segundo Jereissati, não houve deliberação do partido sobre a permanência no governo, mas a maioria da legenda entende que um eventual desembarque agora iria prejudicar as reformas. “O partido está unido, mas tem divergências. O partido não tem dono, nem é autoritário. Quem é mais velho lembra que já tivemos crise e no momento exato seguiremos unidos”, disse.

Denúncia

Sobre uma eventual denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer, Jereissati disse que o partido não fechará questão e os deputados ficarão livres para votar (a Câmara é quem decide se autoriza a abertura do processo de investigação contra o presidente). “Vai ser uma decisão da Câmara e cada deputado vai votar da maneira que quiser. Não existe nada de fechar questão em relação a isso. A bancada tem opiniões diferentes, vai ser um voto de consciência e não uma decisão partidária. Se tiver um acontecimento muito grave, a opinião vai ser diferente e vamos chamar a bancada e conversar sobre isso”, disse.

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  1. PEDRO AUGUSTO MACHADO