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No meio da maior crise de desemprego em décadas, programa “social” de Temer vai dar 5 mil, de graça, pra quem ganha 2.800/mês e tem casa

Escrito por , Postado em Arpeggio, Miguel do Rosário



(A foto acima, cujo autor ainda estou pesquisando – é de um fotógrafo do Estadão ou do Planalto, com certeza -, causou frisson hoje nas redes sociais, dando margem a todo tipo de memes imagináveis)

Vamos reunir algumas notas.

1) O populismo do governo Temer: no momento em que mais de 14 milhões de brasileiros sofrem com o desemprego, que empurra suas famílias para a mais negra miséria, o usurpador anuncia que o governo vai dar 5 mil reais, de graça, para quem provar que tem emprego, ganha salário de até R$ 2.800 reais e possui casa própria.

É inacreditável.

É o populismo mais nojento, bizarro e inútil da história da humanidade, e que visa, evidentemente, a comprar um apoio momentâneo da população para aprovar as reformas antissociais, além de promover uma violenta descapitalização da Caixa Econômica, preparando-a para a privatização.

2) Instituto Lula continua fechado judicialmente. A medida atrapalha a movimentação do ex-presidente, e, sobretudo, interrompe atividades de um instituto importante para o debate político brasileiro, num momento de crise profunda, em que é necessário que as pessoas se encontrem e procurem soluções. É um ato de ditadura. O “iluminista do Projac”, Luis Roberto Barroso, não vai falar nada? Não é possível ser tão covarde. Ele foi indicado pelo PT, justamente porque tinha perfil progressista. Que tipo de homem age assim? Frise-se que o juiz que mandou fechar o instituto foi pego na mentira: disse que havia um pedido do Ministério Público e não havia pedido nenhum.



3) O governo Temer vai “anistiar” dívidas fiscais de milhões de reais de empresas. Como é costume desse governo, não é nenhuma iniciativa social. É uma maneira de comprar o apoio de deputados que devem ao fisco, ou foram patrocinados por empresários que devem ao fisco. As informações são da Carta Capital, que trouxe uma tabela com os principais deputados devedores.

4) Julgamento da chapa Dilma/Temer será reiniciado dia 6 de junho, diz Reuters. É um jogo de cartas marcadas, sobretudo depois da Lava Jato ter assumido o controle do TSE. Vão cassar Dilma e manter Michel Temer. O golpe é do judiciário e, portanto, o judiciário não vai se contrapor a si mesmo.

5) Reportagem do Brasil de Fato, de Rafael Tatemoto, mostra que o judiciário brasileiro é um dos mais caros e inchados do mundo. Custo muito mais que o judiciário alemão, por exemplo. Veja alguns gráficos da reportagem.

6) A Globo descobriu uma maneira formidável do brasileiro obter uma boa previdência: juntar 1 milhão de reais!

7) Benjamin Steinbruch, que ganhou alguns milhões de reais quando FHC lhe deu, de presente, a Vale e a CSN (não precisou tirar nada do próprio bolso, pois o BNDES emprestou o dinheiro), publicou um artigo hoje, na Folha, reclamando que o governo Temer não tem política industrial. Ele lembrou que a indústria brasileira já recuou 17%, em três anos, exatamente desde o início da operação Lava Jato. Ele protestou contra a ideologia “neoliberal” que domina o governo, segundo a qual a indústria brasileira deveria ser regulada simplesmente pelo mercado, sem nenhum tipo de ajuda do governo. Eu reproduzo abaixo um trecho, depois comento:

Pouco importa que a produção industrial geral tenha caído 3% em 2014, 8,3% em 2015 e 6,6% em 2016, totalizando um retrocesso de quase 17% em três anos.

Pouco importa que a indústria de máquinas tenha perdido 50% de seu faturamento nesses mesmos três anos.

Pouco importa que a indústria naval e a cadeia produtiva de petróleo e gás tenham sido praticamente destruídas.

Pouco importa que o setor da indústria de transformação tenha cortado 323 mil empregos em 2016, e a da construção civil, 359 mil.

Pouco importa que as exportações de manufaturados tenham caído de US$ 93 bilhões em 2013 para US$ 74 bilhões em 2016, com uma perda de receita em moeda forte para o país de cerca de US$ 50 bilhões em três anos.

Pouco importa que a produção de veículos, de um setor que já foi o carro-chefe da economia brasileira, tenha caído para apenas 2,2 milhões de unidades no ano passado, fazendo o segmento industrial voltar para o seu nível de produção de 12 anos atrás.

Até aí tudo bem. O problema é que Steinbruch diz apoiar as reformas de Temer, e não faz nenhuma reflexão ao fato de que o governo que aí está age exatamente como defendem os jornalões. Steinbruch quer ajuda do governo, mas parece esquecer que indústria não funciona sem um trabalhador bem cuidado, educado, com infra-estrutura decente de mobilidade urbana e satisfeito com a educação pública oferecida a seus filhos.

O empresário quer subsídio do governo para almoçar no restaurante, mas não quer que os garçons e cozinheiros ganhem salários decentes e sejam protegidos por uma legislação trabalhista justa?

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