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terça-feira

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março 2016

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Polícia de Alckmin protagoniza ‘cenas de horror’ na PUC de São Paulo

Escrito por , Postado em Denúncia, Direitos Humanos, Movimento Estudantil, Virada contra o golpe

Estudantes da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) foram brutalmente reprimidos pela PM após se manifestarem contra um ato convocado por movimentos de direita em frente ao prédio da universidade, nesta segunda-feira (21). Episódio relembra tempos sombrios como o da Batalha da Maria Antonia, em 1968

Cenas de horror na ‘Batalha da PUC’ em São Paulo

no Democratize

Com armas apontadas no rosto de jovens estudantes, a Polícia Militar de São Paulo conseguiu levar o caos para as ruas de Perdizes nesta segunda-feira.

Movimentos de direita convocaram um ato a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em frente ao prédio da PUC na capital. Mesma universidade que recebeu, na semana passada, cerca de 2 mil pessoas em ato a favor da legalidade e em defesa da democracia, contra o golpe.

Desta vez, com um carro de som e ativistas pró-impeachment discursando, a manifestação organizada por movimentos de direita conseguiu reunir cerca de 100 pessoas. Alunos da PUC afirmaram em entrevista à equipe do Democratize que muitos dos que estavam protestando a favor do impeachment não eram alunos da universidade. Estudantes do Mackenzie estavam entre a organização.

O clima era tenso. E o objetivo de tais organizações era claro: criar tumulto e situação de conflito.

Foi o que aconteceu.

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Não demorou muito para as primeiras discussões entre alunos e manifestantes ocorrerem.

Com a situação cada vez mais caótica, a Polícia Militar foi acionada por manifestantes pró-impeachment. Seguindo seu padrão político e ideológico, a PM fez um cordão “defendendo” os manifestantes contra os alunos da PUC.

Em oposição, ativistas contra o impeachment realizaram um protesto contra o ato da direita, projetando frases “contra o golpe” em um prédio próximo à universidade.

Mas as ameaças continuavam.

Com gritos de “viva a PM” e cantando o hino nacional, os manifestantes pró-impeachment assistiram de camarote a ação truculenta da Polícia Militar contra os estudantes da universidade, após os mesmos gritarem palavras de ordem pedindo o fim da corporação.

Sem motivo algum, começaram as primeiras bombas. Foram sete no total.

Balas de borracha também foram utilizadas contra os estudantes. O Democratize contabilizou dois feridos: um com tiro na perna, e outro com lesão na cabeça. Não houve nenhum detido.

Spray de pimenta também foi utilizado para dispersar os estudantes, que respondiam do prédio jogando garrafas de vidro contra os policiais. Os manifestantes da direita aplaudiam. Não faz muito tempo, eles foram expulsos da avenida Paulista pela própria Polícia Militar, que utilizou métodos bem mais “amigáveis” com os manifestantes pró-impeachment: jato de água e apenas uma bomba de efeito moral para liberar a avenida, uma das vias mais importantes da cidade, que permaneceu trancada por mais de 40 horas.

A seletividade da PM gritou mais alto nesta segunda-feira.

Mesmo após a dispersão, estudantes da PUC ainda realizaram uma assembleia dentro da universidade, repudiando a ação da Polícia Militar.

Um estudante de história relatou ao Democratize que os alunos da PUC ainda recebiam ameaças dos manifestantes após a repressão policial. A ordem era ninguém ir embora sozinho da faculdade, temendo a ação dos manifestantes mais radicais da direita.

Esse episódio, que será lembrado como a “Batalha da PUC”, representa umdéjà vu indigesto em nossa história.

A Batalha da Maria Antônia, ocorrida em 1968, marcou o ápice da ditadura militar no Brasil. Estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP) entraram em confronto com alunos do Mackenzie, em 3 de outubro daquele ano. O conflito político-ideológico é síbolo de uma época que volta a assombrar o Brasil com o avanço de ideias de extrema-direita e a possibilidade de um governo democraticamente eleito sofrer uma espécie de “golpe branco”, segundo defensores do governo Dilma afirmam.

Veja as fotos:

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  1. Elizabete Rodrigues Oliveira